• Ranielli Silva

Simplesmente Edson

Atualizado: 21 de Out de 2019

O maior regueiro brasileiro, vi surgi no antigo troféu Caymmi concedido aos artistas revelados à época, pessoa simples que me impressionou pelo seu timbre de voz e uma energia emanada do balanço da sua música que contagiou a todos. Percebi ali, que surgia a nova face do Reggae no Brasil. Com todo respeito ao mestre Gilberto Gil que é minha fonte de inspiração com suas "poesias musicadas", seu jeito de ser, o maior pensador contemporâneo brasileiro e com a canção de Bob Marley No Woman no Cry, fez uma extraordinária versão em 1979, divulgando o Reggae e o grande Bob no Brasil.

Edson Gomes se tornou o maior representante do Reggae brasileiro, pela intensidade e coerência da sua obra (Suas músicas falam sobre desigualdade social, pobreza, mazelas, corrupção e do cotidiano brasileiro. A primeira grande influência musical de Edson Gomes foi Tim Maia, ele gostava tanto imitar a Tim Maia que acabou ficando conhecido na cidade como “Tim Maia da Cachoeira”).

A beleza consiste como diria ele que sua música é acima de tudo, uma música de utilidade pública. Conseguiu conquistar com suas letras e aquele balanço mágico e irresistível do Reggae as classes menos favorecidas além de conquistar com o vírus do reggae as pessoas mais sensíveis de qualquer classe social.

Edson Gomes está longe de ser uma unanimidade, mas não consigo entender porque suas músicas não são executadas. Em shows, costumo ouvi-lo sempre. Gosto de ouvi-lo como faço com Gil,Chico, Bob, Vinicius e o Violão de Baden Power.

Alguns poderão achar um exagero, mas Edson é o mais legitimo representante do Reggae no Brasil, o coloco entre os melhores da música popular brasileira.

Em 2015 estive em um projeto chamado Pipoca Moderna comandado por Marcia Castro que tinha quatro convidados em uma das suas edições: Saulo, Mariene de Castro, Elza Soares e Edson fechando o show. O que percebi foi que as músicas de Edson se tornaram um hino cantado de forma, onde as pessoas vão ao extremo da emoção. O balanço do Reggae faz as pessoas cantarem e se expressarem com a linguagem do corpo.

Ele me impressiona porque suas músicas não envelhecem permanecem atuais e contagiantes, citar uma em especial seria muito egoísmo da minha parte, quando o ouço parece que transcendo, sua música causa um bem estar, uma revolução corporal. Sinto que ele consegue tocar no fundo da alma de cada ser humano, através de um chamado, através de um grito de guerra, revelando à face nobre do amor, ou denunciando a falta dele. Segue uma canção que me chama atenção de Edson e que muitas vezes passa despercebida pela sua simplicidade e beleza. Não consegui deixar de destaca-la:


Hereditário


Era assim, era assim, sim, sim, sim

No nascer do dia meu pai ia lá

E na morte do dia ele vinha

Ele trazia sempre o suor no rosto

O corpo cansado e nada no bolso

Era sim, era assim, sim, sim, sim.

Hoje eu que saio Sou eu que trabalho

Conheço a dureza De toda essa vida

Pai de família, pai de família.

Hoje é assim, hoje é assim, sim, sim.

Trago sempre o suor correndo no rosto

O corpo cansado e nada no bolso.


Todos os dias a sensação de impotência diante dos obstáculos que a vida impõe para ter o mínimo para educar e sustentar uma família com dignidade e isso vem acontecendo com seus antepassados e agora é o personagem desta canção que não consegue fazer diferente, como se fora uma transmissão genética.

“No nascer do dia meu pai ia lá e na morte de dia ele vinha”.

“Hoje eu que saio. Sou eu que trabalho”.

Observe nascer/ morte a antítese. As esperanças começavam ao amanhecer, mas a vida lhe dizia não e morreriam ao anoitecer sem ele conseguir mudar a historia. E agora está acontecendo de novo, uma vez que recebeu das gerações anteriores esta realidade.




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