• Ranielli Silva

O Gênio Indomável (Maradona)

Poderia falar sobre as proezas de Maradona em duas copas do mundo a de 1986 e a de 1990, que na minha opinião o torna o segundo maior jogador da história do futebol e a mágica passagem pelo Napoli. Vou me deter apenas ao gol da copa do mundo de 1986 contra a Inglaterra nas quartas de final, partida vencida pela Argentina com dois gols dele.

Definir o gol em uma partida de futebol, não é tarefa fácil, já pude ler vários teóricos do futebol e até mesmo ex-jogadores se arriscando na difícil missão. Como reage emocionalmente o jogador ao finalizar uma jogada que termina em gol, o momento mais esperado do esporte mais popular do mundo?

O vocábulo emoção provavelmente vem do latim ex movere, seria “mover se para fora, seria em bom português colocar para fora tudo que sentimos. Esse sentimento é compartilhado pela torcida que sente a mesma sensação do jogador de futebol. Extravasa, abraça o torcedor que está mais próximo sem nunca te-lo visto, o faz instintivamente. Com a emoção vem a alteração dos batimentos cardíacos, o sorriso, choro e uma respiração ofegante. Está no nosso sistema límbico ou cérebro emocional todas as respostas. O gol defino como a realização do dever cumprido, uma imensurável satisfação profissional.

Em 2012 o gol mais bonito da historia das copas foi eleito pelo jornal esportivo italiano “La Gazzetta dello Sport” e o gol de Maradona, teve finalmente o reconhecimento pela sua importância e genialidade. A FIFA, teria escolhido o gol do ex-volante da seleção mexicana Manuel Negrete, pelas oitavas de final da copa do mundo do México de 1986 no jogo contra Bulgária. Curiosamente a mesma copa que Maradona marcou seu gol antológico.

O gênio indomável sempre andou na contramão da vida e não poderia ser diferente, lhe negarem aquela obra de arte, comparo seu gol a um quadro de Van Gogh ou a uma poesia de Fernando Pessoa. Tanto Van Gogh como Fernando Pessoa não obtiveram sucesso em vida.

Não escolheram como o gol mais bonito da história das copas na partida válida pelas quartas de finais da Copa do Mundo do México de 1986 o gol de Maradona por motivos que os deuses do futebol desconhecem. A FIFA como grande entidade que rege o maior e mais rentável esporte do mundo deveria ser totalmente imparcial e percebo que existe uma grande manipulação desde uma votação simples como essa para a escolha de um gol como para a escolha das sedes para realização das copas, infelizmente. A Argentina venceu o jogo por dois tentos a um.

A Seleção Argentina entrou em campo com um sentimento de revanchismo queriam vingar-se da derrota militar na guerra das Malvinas (os dois países lutaram pela soberania das ilhas Malvinas ou Falkland). A FIFA simplesmente empobrece a história do futebol mundial, mas com a tecnologia que temos hoje, a nova geração não consegue entender como alguém em plena copa do mundo recebe uma bola em seu campo e mantem a bola grudada em seu pé esquerdo driblando os ingleses até tocar para as redes ampliando o marcador. Foram exatos 10,9 segundos e percorreu sessenta metros. Seu gol se compara a pintura de Van Gogh chamada “ A Noite Estrelada (1889)”, seu quadro mais famoso ou o poema de Fernando Pessoa “ Poema em Linha Reta”, do heterônimo Álvaro de Campos.

O gênio completa 60 anos de vida e o vídeo do gol que revi, com a narração de um locutor argentino me faz explodir de emoção, é como se estivesse vivendo novamente aquele momento único, uma obra de arte que entrou para eternidade.




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